AS PULPS E EU


Nos anos 1930, circulavam em nosso país algumas publicações que foram a versão nacional de uma invenção genuinamente norte-americana e que ficou conhecida como pulp magazine.
O termo pulp magazine é usado para designar publicações impressas num papel de qualidade inferior, áspero e fabricado com polpa de madeira praticamente sem refinar (a cor desse papel assemelha-se à da madeira descascada).
Essas revistas, condenadas pelos educadores e ignoradas pelos críticos, surgiram nos Estados Unidos em 1896, tiveram seu apogeu na década de 1930 e desapareceram há muitos anos; mediam 14 x 19,5 cm; tinham entre 116 e 164 páginas (a maioria delas tinha 132 páginas); exibiam capas sensacionalistas; e, geralmente, publicavam sete pequenas histórias e uma novela com cerca de setenta a oitenta mil palavras. Algumas circulavam semanalmente; outras, quinzenalmente ou mensalmente (o objetivo dos editores era ter sempre as bancas de jornal abarrotadas com o maior número de títulos e de exemplares).
Existiam pulps de todos os gêneros: Amor, Aventura, Guerra, Western, Ficção Cientifica, Horror/Terror, Detetive & Mistério. Havia até pulps com histórias sobre esportes.
As pulps tinham um custo editorial bastante reduzido, devido a serem impressas em papel inferior (durante a Segunda Guerra Mundial, a qualidade do papel piorou ainda mais, em virtude da escassez de matérias-primas) e terem poucas ilustrações. Isso as diferiam dos grandes magazines da época (Collier’sThe Saturday Evening PostThe New Yorker). Mas compensavam essa deficiência custando barato (custavam entre dez e 25 centavos de dólar; algumas, poucas evidentemente, eram vendidas por apenas cinco centavos de dólar) e apresentando narrativas inéditas, escritas de forma a empolgar os leitores (de maneira geral, as cenas descritas se sobrepunham aos enredos das histórias) e que versavam a respeito dos mais variados temas. Na verdade, não existia ambiente ou temática que as pulps não explorassem; e nenhum editor recusava um original, por mais mirabolante e incongruente que fosse a história.
E as pulps foram criadas para ser a leitura de um público de baixo poder aquisitivo e que buscava um meio de entretenimento à altura de suas posses. Logicamente, naquele tempo (falo dos anos 1930), com uma arte cinematográfica ainda jovem (apesar de já estar em franca expansão) e não existir ainda a tevê, as pulps, junto com as histórias em quadrinhos e os seriados de rádio, atraíram o interesse das massas, que precisavam de distrações baratas.

“O detetive Lonnie Prade descobriu que se sente uma coisa esquisita e nervosa dentro do corpo, quando se sabe que dentro de alguns minutos alguém vai começar a disparar um revólver na nossa direção.
Teria sido muito melhor, muito melhor mesmo, se a coisa acontecesse, sem que ele soubesse algo sobre o fato. Poderia, então, seguir seu instinto, atirar-se do automóvel sobre a multidão, quebrar uma ou duas cabeças com seu cassetete e tornar-se um herói... ou um trouxa.
Mas ele já sabia de tudo, e isso é que era o pior. Achava-se no assento da frente, ao lado do chofer, lutando para controlar seus nervos enquanto colava seus olhos na multidão aclamante que marginava as ruas. De vez em quando, agitava os braços para se livrar das serpentinas e pedaços de papel que caíam dos altíssimos edifícios de escritórios. Tinha de estar preparado para ação imediata, quando o tiroteio principiasse.”

Trecho da história “Truque de Publicidade” (tradução de Evandro Palermo, Policial em Revista número 66, Rio de Janeiro, Empresa de Publicações Infantis, 22 de abril de 1942, p. 22), de Bert Collier

Com relação às revistas pulp publicadas no Brasil na década de 1930... Eram elas: Suplemento Policial em Revista (a partir do número 61, lançado em 8 de fevereiro de 1942, passaria a chamar-se apenas Policial em Revista), Contos MagazineDetectiveMisterios (a grafia era assim mesmo, sem acento no “e”), Lupin e, entre outras, Sherlock.
Nos anos 1940 – para ser mais preciso, na primeira quinzena de junho de 1941 –, surgiu aquela que se tornaria a decana das revistas pulp brasileiras:X-9 (seu último número, o 660 chegou às bancas de jornal em janeiro de 1970).
À X-9, seguiram-se diversas outras revistas, dentre as quais, posso destacar: Meia- NoiteSuspense (era a versão brasileira de Alfred Hitchcock’s Mystery Magazine), Contos de MistérioEmoção e Agentes da Lei. E o último magazine pulp brasileiro foi Ação Policial, lançado em 1985 pela Editora Morumbi, uma subsidiária da Editora Abril. Ele teve uma existência muito curta: foram publicados apenas dois números.
Fui leitor e colecionador de todas as pulps brasileiras. E, a partir da segunda metade da década de 1940, comecei também a frequentar suas páginas, como colaborador. Então, era raro o mês em que não publicavam um texto meu. Até que meu nome – invariavelmente grafado de forma errada (isso me deixava profundamente irritado, porque nomes de outros autores, com grafia mais complicada, não erravam nunca) – passou a aparecer também nas capas.
Depois, quando quase todas essas revistas já haviam desaparecido das nossas bancas de jornal, criei minhas próprias pulps. A primeira foi Série Negra, à qual se seguiram Aventura e Mistério e Mistérios.
Como sempre me recusei a trilhar os mesmos caminhos deixados por aqueles que me antecederam, eu queria que cada uma delas tivesse uma característica própria e que fossem diferentes de tudo aquilo que havia sido publicado, até então, no Brasil em matéria de magazine pulp. Enfim, elas tinham de ser originais e, ao mesmo tempo, consevarem as características das pulps. Portanto, não foi nada fácil criá-las e produzi-las.




SÉRIE NEGRA

Dei esse título à revista em homenagem à Série Negra (1), uma coleção de livros de Detetive & Mistério que a Companhia Editora Nacional, de São Paulo, publicou entre 1934 e 1938.
Publicada por uma pequena editora de São Paulo, a Saber S/A – Expansão Industrial e Comercial da Cultura, minha Série Negra tinha 68 páginas (incluindo as capas) e formato de bolso (13 x 18,5 cm). Saíram só dois números. E, neles, incluí dois contos de amigos meus: “Encontro Marcado”, de Geraldo Maia Campos, professor do Departamento de Odontologia da USP de Ribeirão Preto; e “Terror no Museu de Cera”, do roteirista e desenhista de histórias em quadrinhos Gedeone Malagola. O restante – testes, curiosidades e demais contos – foi escrito por mim; porém, assinei com nomes diferentes, para dar a ideia de que a publicação tinha muitos autores/colaboradores. As ilustrações ficaram a cargo de Nico Rosso, Eugênio Colonnese, Osvaldo Talo, Mário Sílvio Cafiero e Luís Meri.

“Quando se pensa um instante na confusão crescente e nos problemas múltiplos e angustiosos que atormentam o homem dos nossos dias, a utilidade, ou melhor, a necessidade de uma revista como esta que hoje lançamos se faz necessária.
Porém, não julgue o leitor que pretendemos apresentar
 SÉRIE NEGRA como uma porta de evasão dos problemas modernos, um anestésico para as múltiplas angústias. Isso seria uma aspiração pretensiosa, por um lado, e perniciosa, pelo outro, porque ainda julgamos que a melhor maneira de alguém livrar-se dos problemas é encará-los de frente, a fim de enfrentá-los e vencê-los. Não, o papel que escolhemos é mais modesto e também mais prático e útil. SÉRIE NEGRA quer ser apenas uma ilha nas preocupações cotidianas, uma ilha portátil que se poderá levar comodamente no bolso, para reduzir a alguns minutos a meia hora de espera numa fila, para encurtar as distâncias numa viagem de ônibus ou de trem, para transformar num tranquilo week-end a exausta conclusão de um dia de trabalho.
Norteados por esse propósito, demos à
 SÉRIE NEGRA um formato prático e procuramos fazer uma seleção criteriosa de contos de mistério, emoção, impacto, intriga. Se tal objetivo não foi conseguido no grau de perfeição, resta-nos, todavia, a serenidade de ter trabalhado arduamente para esse fim.
Aguardamos a palavra final, que será dada por você, leitor. Escreva-nos, criticando e sugerindo.”

“Apresentação” do primeiro número de Série Negra

Hoje, examinando os dois números publicados, chego à conclusão de que Série Negra poderia ter tido uma longa existência. E, se isso não aconteceu, é porque a Saber era uma editora que não estava preparada financeiramente para ter publicações mensais. Houve um hiato de quatro meses entre o lançamento do primeiro número (datado de fevereiro de 1969) e o segundo (datado de julho de 1969). A falta de periodicidade é fatal para qualquer publicação.



AVENTURA E MISTÉRIO

Saiu um único número, lançado em 1969 pela Saber.
Tinha 36 páginas (incluindo as capas), e seu formato era 17,5 x 26,5 cm.
Publicou, a exemplo da Série Negra, testes curiosidades e contos, além de uma novela, “Amizade de Gangster”, escrita no estilo das histórias daBlack Mask (2).
Para realizá-la, contei com a colaboração dos desenhistas Osvaldo Talo (a capa, apresentando uma fotomontagem, foi feita por ele) e Luís Meri.

“Muitos leitores nos escrevem dizendo que as histórias que publicamos em SÉRIE NEGRA têm um novo sabor, uma dose consciente de realismo, um forte senso humano – enfim, são histórias diferentes. Isso vem demonstrar que estávamos no caminho certo ao afirmar que o grande público gostaria de receber também grandes histórias, se estas lhes fossem bem apresentadas e escritas em linguagem despretensiosa e sem sofisticações.
(...) E tal é a procura de boas histórias por parte do grande público que decidimos criar uma nova revista: AVENTURA E MISTÉRIO. Esta se diferenciará bastante de SÉRIE NEGRA; mas temos certeza de que virá ao encontro dos desejos de nossos leitores, ávidos por aventuras movimentadas. E iremos dar-lhes isso numa revista com páginas bem impressas e repletas de ilustrações que a tornarão ainda mais atrativa.”
Trecho da “Apresentação” de Aventura e Mistério

Em Aventura e Mistério (3), eu desejava que as ilustrações se integrassem ao texto. Ou seja: as ilustrações deveriam quase sempre ser colocadas quando havia um diálogo entre dois ou mais personagens; e, semelhante ao que ocorre nas histórias em quadrinhos, a fala de um dos personagens estaria dentro de um balão (logicamente, essa fala deveria ser eliminada do texto). Entretanto, o diagramador não seguiu minhas instruções e colocou as ilustrações onde bem quis. Imaginei que, no número seguinte, esse erro não se repetiria...




MISTÉRIOS

Lançada em janeiro de 1969, a revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão tornou- se, em poucos meses, um autêntico fenômeno editorial. E, ao perder para a incipiente Editora Dorkas o direito de publicá-la, a Editora Prelúdio (4) entrou numa crise financeira sem precedentes na sua história. Tudo porque seus direitores, os srs. Armando Augusto Lopes e Arlindo Pinto de Souza, tinham comprado uma grande quantidade de um papel especial – de alta qualidade e muito branco, esse papel só era usado para imprimir O Estranho Mundo de Zé do Caixão; as demais publicações da Prelúdio eram impressas num papel inferior e até mesmo em papel de jornal –, a fim de não serem surpreendidos com sua falta e colocarem em risco a periodicidade da revista.
Endividados e com o depósito e demais dependências da editora repletos de enormes bobinas de papel, os srs. Armando e Arlindo me pediram (eu era o coordenador de publicações da Prelúdio) que criasse o mais rápido possível várias revistas, pois “precisavam faturar e dar um fim em tanto papel”.
Uma das revistas que criei foi a Mistérios (5).
E, por desejar que a Mistérios não tivesse o mesmo destino infeliz da Série Negra e Aventura e Mistério, logo que a imaginei, cheguei à conclusão de que ela não deveria ter o visual envelhecido e desgastado das pulps. Deveria, sim, apresentar uma paginação dinâmica, cheia de inventividade. A ideia básica era criar uma paginação que fosse, antes de tudo, um convite à leitura. Não deixava de ser um projeto ambicioso e nada fácil de executar. Principalmente porque eu dispunha de poucos recursos financeiros para executá-lo. Mas, como gosto de desafios, apresentei o projeto aos srs. Armando e Arlindo, que disseram simplesmente: “Você tem carta branca, desde que não coloque muito dinheiro nisso.”
Foi conversando com o Jean Silva, que eu conhecia devido ao meu trabalho com o sr. José Mojica Marins, que imaginei que os textos da Mistériosdeveriam ser “ilustrados” com fotos, ao invés das tradicionais ilustrações. Isso seria uma maneira arrojada de diferenciar a revista dos demais magazines pulp.
Então, o Jean, que, na época, fazia estágio no estúdio fotográfico do fotógrafo de cena do Mojica, Luiz Fidélis Barreira, me disse que se encarregaria de me fornecer as fotos.
Quanto à diagramação da revista, ela foi feita por mim, contando com o auxílio do Mário Sílvio Cafiero (ele era Diretor de Arte da Prelúdio). A editora me fornecia unicamente as provas em papel cuchê para que eu fizesse o peistape.
Saíram apenas três números da Mistérios (o primeiro deles chegou às bancas de jornal no final de 1969), que além dos contos escritos por mim (6), publicaram também histórias de escritores consagrados (John Collier, Anthony Abbot, Lord Dunsany, entre outros) e apresentou dois autores brasileiros, os amigos Geraldo Maia Campos e Berta Stark, que nada receberam por suas colaborações.

“Phillip Ashford entrou no teatro exatamente dez minutos depois de ter sido levantado o pano para a apresentação do primeiro ballet. Como ia ocupar um camarote, não lhe importava chegar um pouco mais tarde; por esta razão, não caminhou apressadamente. Pelo contrário: subiu a escadaria com lentidão deliberada, assobiando baixinho.
– Vou ao camarote da sra. Blakeney – disse a um funcionário fardado, que o acompanhou. Entrou no camarote e logo viu a sra. Blakeney, opulenta víuva, em companhia de seu sobrinho, James Murchison.
Tia e sobrinho não pareceram perceber a chegada de Phillip, fascinados pela coreografia da primeira
 ballerina. Phillip tratou de se acomodar o mais silenciosamente que pôde, felicitando-se intimamente por não ser o último dos convidados a chegar. Porém, a sra. Blakeney o desiludiu, voltando-se rapidamente e dizendo:
– Chegou tarde, Phillip. Os outros convidados avisaram que não poderiam vir.”

Trecho do conto “Em Pleno Espetáculo” (Mistérios número 1)

Poucos dias depois do terceiro número da Mistérios ter sido lançado, os srs. Armando e Arlindo contrataram um conde italiano, Gaetano Gherardi (entre outras coisas, ele havia sido diretor do núcleo de São Paulo da TV Globo e trabalhara algum tempo na revista Intervalo, da Editora Abril), para tentar reverter a crise econômica da Prelúdio, que se agravara.
A primeira medida do Gherardi foi aumentar o formato da Melodias, uma revista especializada em Rádio, Música, Cinema e Televisão (em cada número, ela publicava também uma fotonovela), e tornou-a semanal (antes, ela era publicada mensalmente). E, como medida de economia, suspendeu a publicação da Mistérios, cujo quarto número estava pronto para ser impresso.
Ao tomar conhecimento de que a Mistérios deixaria de ser publicada, fui falar com o sr. Arlindo, que era com quem eu tinha mais intimidade. Disse-lhe, então, que estavam agindo precipitadamente. Pedi que esperassem pelo menos a prestação de contas da distribuidora, já que a nossa revista“estava mexendo com o comportamento do tradicional Mistério Magazine de Ellery Queen (7). Porém, o sr. Arlindo foi categório, alegando que o Gaetano Gherardi tinha assumido a direção editorial da Prelúdio com plenos poderes.
Não pude contestar aquelas palavras. E, embora estivesse completamente desmotivado, tive de aceitar as incumbências que me foram dadas pelo Gherardi: coordenar a revista Melodias, para a qual teria ainda de escrever um conto romântico por semana; e ir pensando numa publicação para homens. Não era bem isso o que eu almejava; entretanto, tinha família para sustentar. E, com a finalidade de aumentar um pouco mais a minha renda, assumi a direção editorial da revista Projeção (seu diretor responsável era o sr. J. B. Menezes Ladessa), publicada pela Projeção Editora e cujo público alvo eram os exibidores.
A comprovação de que eu tinha razão só aconteceu quando, uns três meses mais tarde, chegou às mãos dos srs. Armando e Arlindo a prestação de contas da Distribuidora Lamana, que era responsável pela distribuição das publicações da Prelúdio. Ainda que a periodicidade da Mistérios fosse irregular, o índice de vendas da revista subia a cada edição, sendo que do terceiro número havia sido vendido mais de setenta por cento de sua tiragem de dez mil exemplares, provando que, com sua precipitação, os diretores de Prelúdio, haviam “assassinado” uma revista que poderia ter lhes trazido muito lucro.




NOTAS: 

(1) Atualmente, poucos conhecem a Série Negra, mesmo porque só foi feita uma única edição de cada um de seus 24 volumes. No entanto, devemos a essa coleção a publicação de importantes romances de Detetive & Mistério, bem representativos do gênero: Os Homens de Borracha, de Edgar Wallace; O Crime do Dragão, de S. S. Van Dine; O Pequeno César, de W. R. Burnett; A Ceia dos Acusados, de Dashiell Hammett; e, entre outros, R. I. P. ou A Data Fatal, de Philip MacDonald.
Vale destacar que o volume 21 da Série Negra, intitulado O Estranho Assassínio de Mr. Artwill, foi escrito pelo escritor alagoano Hildebrando de Lima, que se escondeu sob um pseudônimo estrangeiro, Jack Hall.

(2) Fundada por dois renomados intelectuais estadunidenses, H. L. Mencken (1880-1956) e George Jean Nathan (1882-1958), Black Mask foi a mais importante revista pulp de Detetive & Mistério. Até o seu aparecimento em 1920, a ficção detetivesca era dominada pelas histórias de detetives britânicos, assinadas por autores como Arthur Conan Doyle (1859-1930), R. Austin Freeman (1862-1943), E.C. Bentley (1875-1956) e Freeman Wills Crofts (1879-1957). Nessas histórias, o crime era visto como uma aberração e os detetives eram uma espécie de “máquina pensante”Black Mask mudou isso, humanizando os detetives, que passaram a ter defeitos e virtudes como qualquer pessoa. Por outro lado, as histórias publicadas em Black Maskretrataram o clima anárquico e a moral existentes no Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial e durante a Lei Seca e a Grande Depressão da década de 1930, quando o país sofreu, como bem disse Herbert Ruhm, “uma falência do governo, do poder e da lei” (“Introduction”, The Hard-Boiled Detective – Stories from Black Mask Magazine 1920-1951, Nova York, Vintage Books, 1977, p. viii).
Alguns dos principais autores de Black Mask foram: Carroll John Daly (1889-1958), Dashiell Hammett (1894-1961), Raymond Chandler (1888-1959), Erle Stanley Gardner (1889-1970), Horace McCoy (1897-1955), George Harmon Coxe (1901-1984), Paul Cain (pseudônimo de George Sims, 1902-1966), Frederick Nebel (1903-1967), Lester Dent (1904-1959) e Norbert Davis (1909-1949).

(3) Batizei a revista com o título de Aventura e Mistério para homenagear um magazine pulp publicado no início dos anos 1940.

(4) Especializada em Literatura de Cordel, a Editoral Prelúdio, foi a sucessora da Editora Graphica Souza Ltda., fundada em 1920 por José Pinto de Souza. Em 1973, houve mudança em sua razão social; e ela passou a se chamar Luzeiro Editora Ltda.

(5) Mistérios tinha cem páginas (incluindo as capas) e formato de 15 x 21,5 cm. Ao batizá- la com esse nome, procurei homenagear uma revista pulpque existiu no Rio de Janeiro, foi publicada de abril de 1937 a julho de 1938 e cujo redator responsável era Rubey Wanderley.

(6) Alguns desses contos (“Em Pleno Espetáculo”, “O Quinto Reflexo”, “Seis É Demais”, “O Decapitado” e “Mulher Satânica” foram assinados com meu nome; outros (“Máscara de Cera”, “O Estômago de Parbat Valji”, “Terror no Museu”, “Aventuras de um Cadáver” e “Férias em Acapulco”) assinei respectivamente com os pseudônimos Edith Pargeter, Thomas V. Breda, Marilyn Appel, Miriam S. Chenney e H. Thorton.

(7) Publicado mensalmente pela Revista do Globo S. A., de Porto Alegre, Mistério Magazine de Ellery Queen, a versão brasileira de Ellery Queen’s Mystery Magazine, sempre manteve, desde seu primeiro número (lançado em maio de 1949), uma linha discreta e conservadora em suas capas. Porém, após o lançamento da Mistérios passou a apresentar capas sensacionalistas. E, depois que a Mistérios deixou de circular, voltou a estampar capas discretas.